A pesca de fundo é por onde a maioria de nós começou, e por bons motivos. Você coloca um anzol com isca perto do fundo, onde os peixes passam boa parte do tempo se alimentando, e espera pela fisgada. É simples, funciona com quase todas as espécies que nadam e dá para praticar a partir da margem, de um píer, de um caiaque ou de um barco. Não é preciso ter um barco caro nem equipamento especializado.
Mas “simples” não significa “irrefletido.” A diferença entre o pescador que fisga peixes de forma constante e aquele que vai para casa de mãos vazias geralmente está em algumas pequenas escolhas: a montagem certa, a quantidade certa de peso e um pouco de paciência para ler o fundo. Acerte nesses pontos e a pesca de fundo se torna uma das formas mais confiáveis de colocar peixe na linha.
Por que pescar no fundo
A maioria das espécies de água doce e salgada passa grande parte do dia se alimentando no fundo ou perto dele. Bagres, carpas, peixes de pequeno porte, walleyes, linguados, vermelhos, corvinas e inúmeras outras espécies fuçam na lama, no cascalho e na estrutura em busca de caranguejos, minhocas, lagostins, peixes-isca e qualquer outra coisa que consigam agarrar.
Apresentar a isca lá embaixo, onde os peixes já estão, é uma jogada de alta probabilidade. Você não está pedindo ao peixe que persiga uma isca artificial ou que suba até a superfície. Você está colocando uma refeição bem no caminho dele e deixando a natureza fazer o resto.
O equipamento de que você realmente precisa
Não é preciso muito para começar. Um conjunto de molinete médio dá conta da maioria das situações de pesca de fundo, do mussum ao bagre-de-canal.
- Vara e molinete: Uma vara de molinete média ou médio-pesada de 2 a 2,1 metros com um molinete compatível é uma excelente escolha versátil. Conjuntos mais pesados para arremesso na praia ou para água salgada entram em cena para espécies grandes ou arremessos longos.
- Linha principal: Monofilamento de 4,5 a 9 kg é tolerante e fácil de manusear. A linha multifilamento (braid) oferece melhor detecção da fisgada e maior distância de arremesso, se você quiser.
- Anzóis: Leve uma variedade de tamanhos. Tamanho 6 a 1 para peixes pequenos e espécies menores, 1/0 a 5/0 para bagres, carpas e peixes de água salgada. Os anzóis circulares são excelentes para a pesca de fundo porque tendem a fisgar o peixe no canto da boca por conta própria.
- Chumbos: Chumbos tipo oliva, chumbos tipo banco, chumbos divididos (split shot) e chumbos piramidais têm, cada um, o seu lugar. Mais sobre eles a seguir.
- Giradores e miçangas: Pequenos giradores tipo barril evitam que a linha torça, e uma miçanga de plástico protege o seu nó do chumbo deslizante.
Três montagens de fundo que todo iniciante deve conhecer
Você pode fisgar peixes durante toda a temporada apenas com estas três montagens. Aprenda a amarrá-las em casa até que suas mãos saibam os passos de cor.
A montagem Carolina (chumbo deslizante)
Esta é a montagem trabalhadora da pesca de fundo. O chumbo desliza livremente pela linha principal, então, quando um peixe pega a isca, ele sente pouca resistência e tem menos chance de soltá-la.
- Passe um chumbo tipo oliva pela linha principal.
- Adicione uma pequena miçanga abaixo do chumbo.
- Amarre a linha principal a uma das pontas de um girador tipo barril.
- Amarre um líder (de 30 a 60 cm) à outra ponta do girador.
- Amarre o anzol na ponta do líder.
Use-a para bagres, carpas, vermelhos e na maioria das situações em que você quer uma apresentação natural.
A montagem fish finder
Prima da montagem Carolina, a fish finder usa um deslizador de chumbo (um clipe de plástico que segura o peso) em vez de passar o chumbo pela linha. Ela torna a troca de pesos rápida e é um clássico da pesca na praia e no píer, com chumbos piramidais que se fixam na areia.
A montagem dropper loop (de fundo)
Aqui o anzol fica acima do chumbo, em uma alça de linha, o que mantém a isca afastada do fundo e visível. Ela brilha em correnteza e em fundos rochosos, onde uma isca arrastada ficaria presa.
- Amarre um chumbo bem na extremidade inferior da linha.
- Amarre uma ou duas alças (dropper loops) cerca de 30 cm acima do chumbo.
- Prenda um anzol em cada alça.
Esta é uma das favoritas para espécies de fundo de água salgada, como o vermelho e o pargo, e funciona muito bem também para peixes pequenos.
Escolhendo o peso certo
O peso é a coisa que os iniciantes mais erram. Peso de menos e a isca se afasta da zona de ataque ou nunca chega ao fundo em correnteza. Peso demais e você elimina a sensibilidade à fisgada e fica preso o tempo todo.
- Água parada (lagoas, lagos): Use o peso mais leve que ainda permita arremessar onde você quer. Um chumbo tipo oliva de 7 a 28 gramas dá conta da maioria dos casos.
- Água em movimento (rios, marés): Use peso suficiente para segurar no fundo. Chumbos tipo banco e chumbos antirrolagem resistem à correnteza.
- Praia e areia: Os chumbos piramidais cravam e seguram contra as ondas.
- Fundo rochoso ou cheio de obstáculos: Considere um peso mais leve amarrado em uma alça “sacrificial” curta e mais fina, para que você perca apenas o chumbo, e não a montagem inteira, quando ficar preso.
Isca e apresentação
Combine a isca com o seu alvo. Minhocões e minhocas vermelhas são praticamente universais. Iscas cortadas, fígado de frango e stinkbait atraem bagres. Camarão, lula e peixe cortado são clássicos da água salgada. Milho e iscas de massa tentam carpas e trutas de repovoamento, onde for permitido.
Coloque a isca de modo que ela permaneça no anzol durante o arremesso, mas ainda pareça natural. Enfie as minhocas no anzol deixando uma ponta da cauda balançando. Fisgue iscas vivas levemente para que continuem se movendo. Com iscas cortadas, deixe a ponta do anzol exposta para uma fisgada firme.
Arremesse, deixe a montagem assentar e então recolha apenas o suficiente para tirar a folga. Você quer uma leve tensão na linha para conseguir sentir a fisgada, mas não tanta a ponto de arrastar a isca. Muitos pescadores apoiam a vara em um suporte e observam a ponta da vara em busca de toques.
Detectando e fisgando o peixe
As fisgadas variam de uma puxada brusca a um toque quase imperceptível. Observe atentamente a linha e a ponta da vara.
- Com anzóis circulares, não dê uma puxada forte. Simplesmente recolha a linha até que ela fique esticada e o anzol se fixa sozinho. Um puxão violento arranca o anzol direto da boca do peixe.
- Com anzóis J padrão, espere até sentir um peso constante e então faça uma fisgada firme e ampla.
- Se você perder uma fisgada, deixe a isca lá. Os peixes muitas vezes voltam para uma segunda tentativa.
Erros comuns a evitar
- Peso demais. Elimina a sensibilidade e causa enroscos.
- Deixar folga na linha. Você perderá completamente as fisgadas sutis.
- Fisgar com força demais com anzóis circulares. Deixe o anzol fazer o trabalho dele.
- Ignorar a estrutura. Os peixes se associam a quebras de profundidade, pilhas de pedras, bordas de vegetação e curvas de canais. Arremesse para as feições, não apenas para a água aberta.
- Anzóis cegos. Afie ou troque os anzóis com frequência. Um anzol afiado transforma mordidinhas em peixes fisgados.
Considerações finais
A pesca de fundo recompensa a paciência e alguns bons fundamentos. Aprenda as montagens Carolina, fish finder e dropper loop, leve um sortimento de pesos e anzóis e preste atenção em como a sua isca se posiciona na água. Comece leve, mantenha contato com a sua montagem e deixe os anzóis circulares fazerem o trabalho. Faça isso e você estará fisgando peixes no fundo já na sua próxima pescaria, não importa onde pesque.



